24/10/2016

Tá tudo bem em se sentir bem Geração Y


Com o ascendente em aquário e a lua em câncer, não preciso nem explicar muito o por quê, de às vezes, me sentir como se minha vida inteira estivesse pendurada nos meus ombros dependendo de uma única ação, de uma única atitude que eu ainda não descobri qual é. Acho que esse é um mal dessa Geração Y de qual faço parte: a gente vive imerso em turbilhão de informação ao alcance de um toque em uma tela de iPad, lê histórias de pessoas ao redor do mundo inteiro, seleciona aquilo que acha interessante e quer fazer melhor. A gente se pressiona, se impulsiona, apressa a criação e desencadeia a depressão por nem sempre as coisas darem certo. A gente bebe baldes de café todos os dias, evita o açúcar e pula o alface no almoço. 




A gente aprendeu desde cedo a valorizar coisas que param de atualizar em 2 anos, perdem a utilidade e já não tem mais a vontade de dizer o quanto gosta de alguém. A gente chora a morte do Glenn, do labrador Marley e quando chega a conta do cartão de crédito. 
A gente chora. 

Fica horas rindo em páginas de memes na internet, até porque somos os melhores criadores de memes que já colocaram os pés sob a face da Terra. Ninguém sabe fazer piadas tão boas e tão inteligentes quanto nós. Ninguém sabe rir tanto da própria desgraça quanto nós. A gente tem um espirito meio velho para relacionamento, mas mesmo assim vai lá e baixa o Tinder, por que ter possibilidades é com a gente mesmo, né? Não só possibilidade, mas flexibilidade, habilidade, disponibilidade, sororidade e igualdade. A gente luta, seja na rua ou online direto da cadeira do nosso home office, por uma sociedade menos opressora e que saiba incluir mais, ouso dizer que a gente se importa mais com isso do que com quantidade de zeros na nossa conta bancária. Tu vai discordar disso? Sim! Por que a gente sabe discordar, sabe impor nossa opinião, pois aprendeu que todo mundo tem voz! 




É claro que a gente aprendeu muito bem também a arte de achar que nada mais vale a pena e que a humanidade está perdida, mas no fundo a gente ainda tem esperança. A gente se joga nas grandes metrópoles, se rodeia de prédios altos que refletem a nossa própria imagem e vê um show ou um protesto no meio da Paulista e pensa "poxa, a gente tá vivo e o mundo é nosso" do mesmo jeito que a gente foge para o meio do mato, abraça árvore e toma um banho mais rápido em casa por saber que água é uma riqueza. 




Dizem que a gente fuma menos (cigarro, né?), bebe menos (oi?), mas de fato a gente convive com menos publicidade desses produtos. Apenas destes, porque aplaudimos de pé um lance bem bolado de uma campanha publicitária que é bem humorada ou que toca fundo dentro do nosso coração. Aliás, nosso coração é gelo ou pedra? Derrete ou quebra? 

A gente aprendeu que 1+1 não é igual a 1, que não existem almas gêmeas e que cara metade é apenas o nome de um grupo de pagode. A gente aprendeu a contar histórias, contar likes e descobriu que deletar pessoas das redes sociais é mais fácil do que tirar da nossa vida pessoalmente. A gente envia em média mais de 70  mensagens todos os dias, fica atrás apenas da Geração Z que envia mais de 200, mas quer saber? Alguns de nós são tão multitarefas que a gente consegue ser Y e Z ao mesmo tempo. 



Se a gente é feliz? Metade do tempo sim, a outra metade não. A gente já viveu um quarto de século, aprendeu que sexo é bom, mandar nude talvez, mas entrar na Leroy Merlin e dizer "é no débito, moça" te traz uma sensação incrível. Mas relembrando, não é que a gente quer ser rico, nossa conta bancária não precisa ser enorme, a gente só quer poder viajar pelo mundo de vez em quando e ter um apartamento com uma decoração bonita em um bom canto da cidade. Somos meio egoístas para algumas coisas e outras aprendemos no YouTube.



A gente sabe que tá tudo bem em se sentir bem, mas mesmo assim continua sem saber o que está errado, o que falta e o que fazer para descobrir tal. A gente tem dias que levanta com disposição e vontade de fazer a diferença e outros onde não quer tirar o pijama, por que subestima o nosso trabalho. A gente costuma valorizar qualidades que achamos que não temos, costuma procurar conhecimento sobre tudo, mas constantemente nos achamos idiotas demais sem perceber o quanto podemos ser brilhantes. Na realidade, até na tão famigerada 'bad' a gente consegue produzir coisas geniais.  


Talvez a gente só precise aprender um pouco a não se sentir culpado por fazer o que é melhor pra nós mesmos e que se a gente cansar, deve aprender a descansar e não a desistir. De qualquer forma, quando fazemos algo que passou em branco, que ninguém notou, a gente trabalha mais duro no dia seguinte. A gente leva como meta trabalhar tão duro, até eventualmente, não mais precisar se apresentar. Mas tem um detalhe aí, a gente trabalha duro para aquilo que a gente ama, o resto é perda de tempo, perda de sanidade, perda de vida e isso a gente não permite, já que queremos viver rápido e morrer jovens, como aprendemos no Tumblr. 


Eu visto: 
| Camisa Welcome to the Weekend: SheIn
Vestido: Queen's na Zattini | Bota de Glitter: Cubanas na Zattini


comentários pelo facebook:

7 comentários:

  1. Me identifiquei tanto que esse texto poderia ser meu, hahaha. Me sinto da mesma forma e quero as mesmas coisas. <3
    Amei as fotos e já quero a camisa, beijo.


    www.faltouacucar.com

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  2. Oi Mari!
    Esse texto é simplesmente de tirar o fôlego. E sabe o porquê? Porque ele é um pouquinho de você, de mim, de cada um que o lê. Amo seus textos!
    Um beijo!

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  3. Ah, Mari!
    Não é sempre que eu comento em blogs MAS QUANDO COMENTO AIMEUDEUSQUECOISALINDA!
    É muito bom ler e sentir humanidade, sensibilidade e empatia no seu texto. Adoro (mesmo!) quando tu escreve assim, livre, tipo, chá das cinco. <3

    Beijo grande, flor!
    www.horinhasdedescuido.com

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  4. Eu amei o post. Achei algumas sacadas dele e a forma de escritas geniais, e você liga muito bem um ponto a outro do texto, da ideia, da vida. Aliás, amei seu look também. Acho que vi no Instagram primeiro e tô amando desde lá.
    Só me escorreu uma lágrima ali no começo porque eu ainda não vi esse episódio de The Walking Dead, HAHAHAHAHA.
    A nossa geração tem uns lances muito tortos, é verdade, mas nós somos tão INTENSOS. Nós conseguimos tirar leite de pedra, de papel, do ar e, apesar de tudo, no fim do dia, a vida é boa e o mundo é lindo. Que nem o seu texto. Valeu por isso.
    Sentimentaligrafia

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  5. Nossa Mari que texto lindo, me identifiquei muito afinal também sou da geração y... Amo muito o conteudo que você faz aqui no blog e no youtube. Parabéns !

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  6. Mari, sem palavras para esse post! Parecia que eu tava escrevendo ou você lendo meus pensamentos atuais. Nós temos muito a ensinar, seja no Youtube ou na vida real, mas também precisamos aprender. Aprender a não cobrar tanto, a ter mais gratidão. Não paramos mais pra olhar o céu, fazer as coisas simples da vida e por isso, vivemos angustiados por aí. Sempre querendo a vida do instagram daquela pessoa com tantos mil likes e achando que a nossa não é tão legal assim, quando na verdade, é.

    Gratidão... essa é a palavra que tem feito sentido pra mim e curado minha ansiedade.

    Você não é só mais um rostinho bonito nessa internet, teu conteúdo acrescenta e muito na vida das pessoas. Apenas continue! <3

    www.luaeomundo.com

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  7. Descobri seu blog hoje, já li algumas coisas e cara, posso dizer? Melhor texto que li em meses, me identifiquei demais, to até besta kkk. Parabéns, adorei o blog e já estou dando uma fuçada em tudo rs

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