23/12/2015

Belle Époque e Jeanne Paquin na Faculdade de Moda


Oi todo mundo! Tudo bem com vocês? Cheguei ao final do meu primeiro semestre do curso de Moda na Universidade Feevale! Confesso que nunca fiquei tão triste ao terminar um semestre, pois nunca antes havia me apegado tanto as disciplinas, ao conteúdo estudado, aos colegas e professores. Vou infinitamente bater na tecla do "faça o que você ama para ser feliz", pois sou a prova disso. 
Sem mais demora, o post de hoje é para apresentar para vocês um trabalho que eu, a Larissa, a Thaís e a Joice realizamos na cadeira de História da Arte e da Indumentária I, e que foi para exposição, com curadoria do professor Raphael Scholl ("alô mulher, aqui é a Gretchen" piadinha interna) sobre a Belle Époque! 


Para ser mais detalhista com vocês, em 1871, na segunda fase da Revolução Industrial – iniciada aproximadamente na década de 1850 –, França e Alemanha assinaram o Tratado de Frankfurt que permitiu um novo período de paz entre as potências europeias. Nesse cenário político pode-se fomentar o liberalismo econômico e a interdependência comercial que permitiu avanços em descobertas e trocas tecnológicas. De 1871 até 1914, esses avanços tecnológicos e econômicos implicaram numa mudança de comportamento individual e na compreensão sócio-política dos cidadãos nas principais cidades europeias.  Esse período é conhecido como a Belle Époque,  é normalmente compreendido como um momento na trajetória histórica francesa que na verdade, não tem uma demarcação tão rigorosa de seus limites, uma vez que é mais um estado espiritual do que algo mais preciso e concreto. 
Este período é representado por um diferente clima intelectual, emocional, artístico e profundas transformações culturais traduzidas nas mudanças de pensamento e cotidiano.


A Belle Époque foi um período muito rico na moda e suas principais características seguem abaixo:

♥ Influência do Art Noveau, das formas curvilíneas;
♥ Cinturas extremamente afuniladas, a famosa cintura “ampulheta”;
♥ Golas altas e decotes fechados;
♥ Saias sem anquinhas, porém volumosas, muito ajustadas e em formato de sino;
♥ Chapéus com flores sobre coques;
♥ Botas de cano curto;
♥ Prática de esportes, principalmente o hipismo e o tênis;
♥ O início de banhos de mar com malhas de lã, meias, sapatos e capa.
♥ Alta Costura em evidência.

Para finalizar o semestre, precisávamos buscar fazer uma mini reprodução de algum vestido da época, mais especificamente entre 1900 e 1907. Escolhemos, por final, trabalhar com uma peça da estilista Jeanne Paquin pelo fato de ela ter sido a primeira mulher a ter sucesso com uma casa de alta costura em Paris. Escolhemos um vestido de noite (clique aqui para ver o original) que possui diversas técnicas características dos trabalhos da Jeanne, como a cintura elevada, mais conhecida como corte império, o viés de veludo, a fita cetim no decote, os tons contrastantes, e os detalhes em prata. O vestido também tem referências da Grécia Antiga e uma estética clássica por ser um vestido de noite. Foi produzido entre 1905 e 1907, segundo o The Metropolitan Museum of Art. A peça original foi doada ao Museu do Brooklyn em 1941 por Sarah G. Gardiner e em 2009 então foi passado para o MET.


Voltando o assunto para a Paquin, fiquei realmente muito fascina e interessada pela história dela e como muitos a consideravam “a mais elegante” da Belle Époque. Se destacava por nunca ter feito dois vestidos iguais. Hoje é infelizmente esquecida ou conhecida apenas pelo sobrenome (há até quem ache que Paquin era um homem), mas no seu tempo foi à maior autoridade feminina em moda, reinando ao lado de Doucet, “o grande senhor da moda”, no período entre Worth e Poiret. Nascida Jeanne Marie Charlotte Beckers, em Saint-Dennis, França, em 1869, foi a sucessora natural de Worth. Filha de um médico, quando moça atuou como aprendiz de uma costureira em Paris e mais tarde ingressou na conceituada Maison Rouff, onde alcançou a posição de premiere.


Em 1981, casou-se com Isadore René Jacob, conhecido como Paquin, um bem sucedido banqueiro, o que permitiu que a jovem abrisse no mesmo ano sua casa de costura na rua da La Paix. Com a apresentação dos primeiros modelos, surgiram detalhes que chamavam a atenção, como os tailleurs com peles arrematando golas, punhos e ás vezes a barra; outros em sarja azul, enfeitados dos agaloes e botões dourados; peles; lingerie, vestidos para noite em branco, verde, pastel ou lamé dourado. Mereceram destaque o uso de um peculiar tom de vermelho, que se tornaria um clássico da casa e as aplicações em renda em tecidos contrastantes, além da habilidade de combinar cores. Esses detalhes, somados ao acabamento intocável e certa modernidade, anunciavam o que mais tarde seria conhecido como “grande estilo de Paquin”.



Em 1902, Paquin abriu uma filial em Londres, 1914 em Madri e no ano seguinte outra em Buenos Aires. Membros da realeza, como as rainhas da Espanha, Bélgica e Portugal, tornaram-se clientes da casa, além de representantes da classe das “estrelas de teatro”, como Liane de Pougy e La Belle Otéro, as divas da Belle Époque. Em 1905, Jeanne relançou o estilo império (vestido com corte logo abaixo do busto).  No ano de 1913, Jeanne Paquin tornou-se a primeira representante da alta-costura a ser condecorada com a Legião da Honra, prestigiado título conferido pelo governo francês.


Após anos de trabalho, Paquin deixou em seu lugar para uma antiga funcionária, Madeleine Wallis. Em 1936, Ana de Pombo assumiu o cargo de estilista e agradou a clientela com uma coleção de influência espanhola. Em 1942, Antonio Del Castillo a substituiu e criou uma coleção cujos vestidos para noite buscavam inspiração em Goya. Em 1945, a Maison Paquin, então sob o comando de Castillo e o assistente Pierre Cardin, foi contratada por Marcel Escofier e Chirtian Bérard para criar o guarda roupa de A bela e a Fera. Em 1946, Colete Massignac substituiu Castillo, e em 1949 Lou Claviere reavivou uma imagem da casa com a coleção Torpedo.Em 1956, com 65 anos de existência, a maison de Paquin fechou as portas.




Depois de trazer um pouco de cultura para esse povo, brincadeira gente hahah só para descontrair, queria comentar com vocês que a toda a confecção do vestido ficou por nossa conta. Os alunos não precisavam necessariamente costurar seus próprios trabalhos, mas optamos por isso e confesso: ficamos absurdamente orgulhosas do resultado. ♥ 
Assim como nós, nossos colegas apresentaram trabalhos incríveis e vocês podem conferir alguns deles na foto abaixo: 



Os trabalhos estão em exposição no Museu Nacional do Calçado no Campus I da Universidade Feevale em Novo Hamburgo até março, caso alguém seja da região e queira conferir de perto!


Gostaram do post, gente? Qualquer outra dúvida podem deixar nos comentários! Beijão e boa semana para vocês!

comentários pelo facebook:

4 comentários:

  1. Uma das coisas boas do seu curso é poder ver o que você pensou alí na sua frente, todo lindo, do jeito que você quer.
    Ficou uma graça e parabéns pelo trabalho.

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  2. Marieli, esse tipo de post sobre alguns resultados da faculdade são ótimos. Invista em mostrar por aqui suas experiências na facul ;)
    Além disso, gostei bastante meeeesmo, esse post vai ser uma referência pra mim sobre história da moda. Queria que minha experiência com essa disciplina tivesse sido semelhante a sua.

    Bjoss! :)

    Geleia de Xuxu

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  3. Guria, que maravilhoso que ficou!!! Sério, costuraram a mão ou na máquina? Ficou perfeito! E morri nessa tua calça de cintura alta na última foto <3 SOCORRO

    Beijos amore

    www.voudecintaliga.wordpress.com

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  4. Aiii gente que roupa de boneca <333 já pode ser figurinista!
    Teu professor é muito top também, vocês são 10!

    Beijosss e um ótimo 2016, bastante sucesso para o blog e na faculdade! ;)

    Blog Lanah Silveira

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