15/10/2013

Sobre idealizar a felicidade


Quando eu era pequena me disseram que a felicidade não vai atrás de ninguém, que nós é quem devemos procurá-la. Não me lembro ao certo quem me disse isso, mas desde quando me entendo por gente eu sempre ouvia “corra atrás da sua felicidade, ela não vai vir bater na sua porta”, e ficava me imaginando por aí, procurando algo, sem saber exatamente o quê. Com o tempo, eu fui crescendo e amadurecendo, e então me disseram que eu deveria ir atrás de alguém que me fizesse feliz, e depois disso eu parei de procurar essa coisa abstrata que chamamos de “felicidade” e passei a procurar uma pessoa idealizada que chamamos de “príncipe encantado”. Mas onde estaria o meu príncipe? Num barzinho, tomando cerveja e rindo das próprias piadas? Num shopping, gastando o dinheiro dos pais? Na fila da padaria, comprando meia dúzia de pão? Ou fazendo aulas de equitação sonhando em montar num cavalo branco? Eu não sabia onde procurar, eu não tinha onde procurar. E então eu me enganei com várias pessoas, tentando fazer delas a que eu tanto procurava. Falhei mais uma vez. E, depois de muito tempo, quando eu desisti dessa história de "encontrar ou idealizar a felicidade", eu decidi viver a minha vida do jeito que desse pra viver.  Então após todos esses concelhos furados de outras pessoas, eu mesma tentei formular um concelho para mim, e saiu algo tipo "viva um dia de cada vez." E por mais estranho que isso seja, funciona muito bem. Sem passado nem futuro. Eu tento respirar o ar que tenho agora, melhorar o que eu sou agora. 
E essa história de "príncipe encantado" não é real. Ele não existe, se você procura demasiadamente a perfeição, acaba ficando sem nada. Se tivesse que chutar, diria que o príncipe da Bela Adormecida se cansou da preguiça enorme dela e resolveu dar um tempo. Que a Fera largou a Bela por achar uma princesa mais bonita. E que a Branca de Neve traiu o marido com um dos sete anões. O negócio é que não existe felizes para sempre e nem uma porta que te leve pra felicidade.  Talvez o verdadeiro final feliz seja aquele em que você acorda pra vida e se prioriza, deixando pra trás aqueles que te fazem mal. Ou aquele em que você aprende a aceitar os defeitos do outro e a amá-lo, mesmo não sendo perfeito, mesmo vendo o outro mastigando a carne, três da tarde do domingo, com uma bermuda de cinco anos atrás e o cabelo bagunçado, só que você o ama e ponto. E talvez, só talvez, o final feliz seja somente você, colando os pedaços do seu coração, levantando a cabeça e aprendendo a seguir em frente um passo de cada vez, por um dia de cada vez.

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5 comentários:

  1. verdade, não existe essa coisa de principe encantado. Nós meninas que somos meio tontinhas e acreditamos nessas coisas

    Beijo, Michele

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    1. Pois é Michele, a gente erra pra aprender né!

      Obrigada, beijo

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  2. Apxonada pelo texto, parabéns!!!!
    Adorei
    beijin

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  3. Mas errando é que se aprende mesmo, né?
    Beijos

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    1. Isso é verdade! Obrigada pela visita Natalia!

      beijo

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