16/09/2013

No degrau eu descobri

Sempre fui daquelas que prefere se atirar de uma vez por todas na piscina, do que colocar o dedão do pé primeiro e ir aos poucos mergulhando. Sempre fui daquelas que prefere tomar logo um gole exorbitante do leite quente, do que ficar bebericando lentamente. E também, por pura conspiração de minha pessoa, sempre fui daquelas que quando se perde acaba se achando dentro de si. Sempre peguei o ônibus meio lotado, meio vazio e pedi para o motorista me avisar onde descer. Mas nem o motorista sabia me dizer para onde ir,  por ai eu me perdi. Me perdi sem saber o alfabeto, droga, eu não sabia nem que chorar molhava o rosto da gente. Mas molha, e molha de uma maneira diferente. Pra nunca mais secar, até parece que o salgado da lágrima gruda nos lábios da gente. Mas tá ai, eu não sabia que grudava mesmo. E então eu andei, andei até a casa velha e lá eu pedi se podia ficar. Ficar pra que? Bom mesmo é quando a gente vai embora. Por que ir embora é libertação. Ir embora é mais do que partir, por que quando você parte, um pedaço de você fica pra trás, mas quando você realmente vai embora você acaba com tudo o que estava te prendendo. Quem estava te prendendo. Só que ai, eu sentei no degrau da casa velha, e pensei nos amigos. Porque naturalmente a gente tende a pensar em alguém, Mas eu fiquei enfurecida! As pessoas dizem que amigos não destroem uns aos outros, mas o que elas sabem sobre amigos? Elas não sabem nada. Ninguém sabe nada, mas eu sabia naquele instante que amigos sim, esses partem e deixam na gente um pedaço. Nem sempre é um pedaço bom. E naquele degrau da casa velha, eu entendi uma coisa muito importante, eu estava com um pedaço bom e vários ruins. Droga! Justo eu, com pedaços ruins dos outros, justo eu! Mas o que fazer agora? Esquecer. Mas é muito difícil esquecer. Esquecer um pedaço ruim é tipo não querer acreditar que a gente vai morrer um dia. Pior ainda é cogitar que a gente pode morrer com esse pedaço ruim dos outros na gente. E quando eu compreendi isso, eu esqueci e fui embora. Levantei do degrau e corri, corri em direção aos plátanos. Sei lá, vai que eu me perdia de novo no meio das folhas? Vai que eu me encontrava lá mais uma vez. 









Um beijo, Mari.


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